segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Da janela do ônibus, não tenho escolha senão pensar

Noto, não sem certo pesar, como as principais ideias ou os simples questionamentos sobre vida nascem no ônibus, lotado ou cheio, estando sentado ou em pé. Eles vêm do nada, e arrisco dizer que vão para o nada também.
Sento no banco que dá para a janela, depois de um dia cheio na universidade. Com o corpo ali, mas com o pensamento em casa, onde milhares de outras obrigações e mini afazeres permeiam minha cabeça que tenta se silenciar com música no fone de ouvido, reflito, inicialmente, sobre o hoje. É um dia típico. Meio morno, meio frio, mas com um sorrateiro vento noturno. Do meu lado, outra pessoa com fone de ouvido deve pensar sobre a mesma coisa. Não sei.
Quando não é desconhecida, conversamos. Talvez para aplacar a rotina e a individualidade. Talvez por pura e saudável amizade. O cansaço me impede de discernir.
Volto a mente para os meus projetos e sonhos. Penso no conceito que criamos em que o ser humano satisfeito é o ser humano exausto, prostrado, com olheiras fundas e escuras. Não me parece bom. Não me parece certo. Não me parece…
Ligam o motor do ônibus. Toda a minha construção se esvai. É, talvez não fosse para concluir nada a respeito desse mundo e da forma como o encaramos.

É, talvez não hoje.

domingo, 24 de setembro de 2017

Coro das Buzinas

(passível de música)

Pare, por favor, seu motorista
Pare de dirigir a minha vida

Quero ser ao mesmo tempo
A fome e a comida
Quero ser ao mesmo tempo
A fera mais ferida
A chegada e a partida

Pare, por favor, seu motorista
Que eu quero ouvir o coro das buzinas

Libido (L)o(u)ca

(em construção, talvez eterna)
(uma possível música)

Libido Oca 
Te olha assim de lado
Libido Oca
Te criva com os lábios

O espetáculo é uma planta carnívora
Deixa que tu agonize até deixar em carne-viva

Libido Oca
Te faz chorar
Libido Louca
Te faz gozar

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Território Estranho da Dúvida Perpétua

à:
Pais;
Presidentes;
Qualquer forma de pensamento e criatura estanque e essencialmente...

Chata.
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O asfalto em alta velocidade é estática na televisão, você diz.
Como toda conversa mole e rebuscada que você adora, essa é apenas mais uma sua. Como todo início de conto estranho e aparentemente vazio, esse é apenas mais um meu.
Finjo saber escrever, assim como finjo gostar e não finjo ter que aturar a sua forma brusca de falar sobre as coisas, enquanto gesticula de forma a mostrar que tem mais anos de vida e, por consequência, mais sabedoria.
Eu deveria interromper as coisas? Esse é mais um fim?
Sou artista, mas quando estou na presença deles, não me sinto um. Sou universitário, e talvez isso seja uma certeza, mas não é tudo que me guia. De certa forma, minha essência, ao contrário do que pensei, vem se tornado cada vez mais difusa e distante. Compor ou não? Sou um bom compositor?
Como fomos parar aqui?
Como fomos parar no limbo daqueles sem nome, fantasmas cinzas e opacos que caminham apenas por caminhar, mas que ao mesmo tempo não têm certeza se caminham só por caminhar.
Como fomos parar no território estranho da dúvida perpétua?
Em busca de diferenciação, escrevo. Em busca de diferenciação, me afirmo enquanto distinto. Me afasto do orgânico em direção ao eletrônico.
O que é a militância enquanto ignora(o) o contínuo contorcer dos umbrais de palafitas?
O que sou eu enquanto assopro sem fim a lava do vulcão?