segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Da janela do ônibus, não tenho escolha senão pensar

Noto, não sem certo pesar, como as principais ideias ou os simples questionamentos sobre vida nascem no ônibus, lotado ou cheio, estando sentado ou em pé. Eles vêm do nada, e arrisco dizer que vão para o nada também.
Sento no banco que dá para a janela, depois de um dia cheio na universidade. Com o corpo ali, mas com o pensamento em casa, onde milhares de outras obrigações e mini afazeres permeiam minha cabeça que tenta se silenciar com música no fone de ouvido, reflito, inicialmente, sobre o hoje. É um dia típico. Meio morno, meio frio, mas com um sorrateiro vento noturno. Do meu lado, outra pessoa com fone de ouvido deve pensar sobre a mesma coisa. Não sei.
Quando não é desconhecida, conversamos. Talvez para aplacar a rotina e a individualidade. Talvez por pura e saudável amizade. O cansaço me impede de discernir.
Volto a mente para os meus projetos e sonhos. Penso no conceito que criamos em que o ser humano satisfeito é o ser humano exausto, prostrado, com olheiras fundas e escuras. Não me parece bom. Não me parece certo. Não me parece…
Ligam o motor do ônibus. Toda a minha construção se esvai. É, talvez não fosse para concluir nada a respeito desse mundo e da forma como o encaramos.

É, talvez não hoje.

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